O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado, nesta terça-feira (18), pela Procuradoria-Geral da República (PGR), na investigação envolvendo uma trama golpista para mantê-lo no poder após as eleições de 2022. A acusação foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Jair Bolsonaro e outras sete pessoas foram indiciadas pelos crimes de golpe de estado, abolição violenta do estado democrático de direito e organização criminosa. Outras 27 pessoas também foram denunciadas.
De acordo com a denúncia da PGR, a tentativa de golpe de estado partiu dos discursos de Jair Bolsonaro atacando o sistema eleitoral, culminando com os atos golpistas de 8 de janeiro.
“Evidenciou-se que os denunciados integraram organização criminosa, cientes de seu propósito ilícito de permanência autoritária no Poder. Em unidade de desígnios, dividiram-se em tarefas e atuaram, de forma relevante, para obter a ruptura violenta da ordem democrática e a deposição do governo legitimamente eleito, dando causa, ainda, aos eventos criminosos de 8.1.2023 na Praça dos Três Poderes”, diz trecho da denúncia da PGR.
Após o oferecimento da denúncia pela PGR, o caso será remetido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF e, depois, apreciado pela Primeira Turma.
A denúncia divulgada nesta terça-feira (11) é a primeira na história contra um ex-presidente da República por tentativa de atacar o Estado democrático de Direito.
Bolsonaro sabia de plano para matar Lula e concordava com trama, diz PGR
Ainda de acordo com a denúncia da PGR, o ex-presidente Jair Bolsonaro sabia do plano para matar Lula (PT), no final de 2022, e havia concordado com a trama.
“Os membros da organização criminosa estruturaram, no âmbito do Palácio do Planalto, plano de ataque às instituições, com vistas à derrocada do sistema de funcionamento dos Poderes e da ordem democrática, que recebeu o sinistro nome de “Punhal Verde Amarelo”. O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu, ao tempo em que era divulgado relatório em que o Ministério da Defesa se via na contingência de reconhecer a inexistência de detecção de fraude nas eleições”,escreve o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Na denúncia, Paulo Gonet considerou que Jair Bolsonaro seria o líder de uma organização criminosa que atuou para planejar um golpe de Estado, para lhe manter no poder após a derrota nas eleições de 2022, para Lula. Gonet descreve que, a partir de 2021, Bolsonaro “adotou crescente tom de ruptura com a normalidade institucional”.
“Para melhor compreensão dos fatos narrados, convém recordar que, a partir de 2021, o Presidente da República adotou crescente tom de ruptura com a normalidade institucional em seus repetidos pronunciamentos públicos, nos quais expressava descontentamento com decisões de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor”, disse.
Confira a lista dos indiciados pela PGR:
Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e deputado federal pelo PL;
Almir Garnier Santos – ex-comandante da Marinha;
Anderson Gustavo Torres – ex-ministro da Justiça;
Augusto Heleno Ribeiro Pereira – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Jair Messias Bolsonaro – ex-presidente da República;
Mauro César Barbosa Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira – general da reserva do Exército;
Walter Souza Braga Netto – ex-ministro-chefe da Casa Civil, ex-ministro da Defesa, ex-candidato à vice-presidência da República na chapa de Jair Bolsonaro e general da reserva do Exército.
Ailton Gonçalves Moraes Barros;
Angelo Martins Denicoli;
Bernardo Romão Correa Netto;
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha;
Cleverson Ney Magalhães;
Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira;
Fabrício Moreira de Bastos;
Filipe Garcia Martins Pereira;
Fernando de Sousa Oliveira;
Giancarlo Gomes Rodrigues;
Guilherme Marques de Almeida;
Hélio Ferreira Lima;
Marcelo Araújo Ormevet;
Marcelo Costa Câmara;
Márcio Nunes de Resende Júnior;
Mario Fernandes;
Marília Ferreira de Alencar;
Nilton Diniz Rodrigues;
Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho;
Rafael Martins de Oliveira;
Reginaldo Vieira de Abreu;
Rodrigo Bezerra de Azevedo;
Ronald Ferreira de Araujo Junior;
Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros;
Silvinei Vasques;
Wladimir Matos Soares.